terça-feira, 26 de março de 2013

As perguntas que não podemos renunciar.


              
 Discutir sobre as razões que levaram o Papa Bento XVI a renuncia do trono de Pedro pode ser tão profundo quanto inconclusivo. A investigação acurada do momento por que passa a igreja clerical não nos conduz a outra conclusão senão a de que a pintura está apagada, necessitando reavivar as cores do quadro ou que dirá da própria moldura. Ao mesmo tempo, contudo, é improvável concluir que todas as imoralidades presentes nas disputas intestinais dentro da Cúria romana tenham sido suficientes para conduzir o Papa a sua decisão final. Em verdade, muito mais importante é que, com o coração no envagelho e os olhos voltados para o amanhã, nós, igreja comunidade, não nos perguntarmos questões já existentes há tempomas quase subitamente clareadas pela força  descodificadora da renúncia papal.  
Que modelo de Igreja Instituição tínhamos sob a batina do Papa BentoXVI? Era esse modelo o coerente com a palavra de Cristo?  Pode esta mensagem ser mais democraticamente transmitida? Detém a Igreja o monopólio da verdade espiritual? A organização eclesiástica deve ser revista para que a Igreja permaneça?


Crise não é fim, é transição.  E a Igreja instituição, como parte da igreja comunidade, deve transformar-se para continuar a ser digna transmitir o poder da palavra e das ações que diz defender. A transformação não deve ser repentina, a reflexão deve proceder as ações modificativas. O essencial é que a humildade, sob todos os aspectos presente na renúncia papal, não deixe de acompanhar a Igreja. Humildade para saber reconhecer seus limites e incapacidades, afinal, reconhecer limites já é estar, de alguma forma, para além deles.                                                                 

(Escrito por Túlio Jales)

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