Discutir sobre as razões que
levaram o Papa Bento XVI a renuncia do trono de Pedro pode ser tão profundo
quanto inconclusivo. A investigação acurada do momento por que passa a igreja
clerical não nos conduz a outra conclusão senão a de que a pintura está
apagada, necessitando reavivar as cores do quadro ou que dirá da própria
moldura. Ao mesmo tempo, contudo, é improvável concluir que todas as
imoralidades presentes nas disputas intestinais dentro da Cúria romana tenham
sido suficientes para conduzir o Papa a sua decisão final. Em verdade, muito
mais importante é que, com o coração no envagelho e os olhos voltados para o
amanhã, nós, igreja comunidade, não nos perguntarmos questões já existentes há
tempomas quase subitamente clareadas pela força descodificadora da renúncia papal.
Que modelo de Igreja Instituição tínhamos sob
a batina do Papa BentoXVI? Era esse modelo o coerente com a palavra de Cristo? Pode esta mensagem ser mais democraticamente
transmitida? Detém a Igreja o monopólio da verdade espiritual? A organização
eclesiástica deve ser revista para que a Igreja permaneça?
Crise não é fim, é transição. E a Igreja instituição, como parte da igreja
comunidade, deve transformar-se para continuar a ser digna transmitir o poder
da palavra e das ações que diz defender. A transformação não deve ser
repentina, a reflexão deve proceder as ações modificativas. O essencial é que a
humildade, sob todos os aspectos presente na renúncia papal, não deixe de
acompanhar a Igreja. Humildade para saber reconhecer seus limites e
incapacidades, afinal, reconhecer limites já é estar, de alguma forma, para
além deles.
(Escrito por Túlio Jales)
